Tipos de graduação e pós-graduação: conheça as principais diferenças entre elas

Escolher um curso superior ou uma pós-graduação não é uma tarefa fácil, afinal, trata-se de uma decisão que pode influenciar — e muito — os próximos passos da sua vida. As opções são inúmeras. Existem diferentes tipos de pós-graduação e graduação, que atendem a necessidades distintas, cada um com seus prós e contras.

Para tomar essa decisão, o primeiro passo é conhecer bem as opções, saber o que elas oferecem e entender qual é mais adequada à sua realidade. Pensando nisso, preparamos um guia para explicar quais são os tipos de graduação e pós-graduação existentes, como funcionam e o que cada um deles oferece. Quer saber mais? Continue a leitura!

Qual tipo de graduação devo fazer?

Vamos começar pela graduação. Antes de conhecer os tipos que existem, é importante pensar sobre sua realidade atual. Por que motivo você pretende entrar em um curso superior? O que você espera da faculdade? Quanto tempo e dinheiro você pode investir na formação?
Com essas respostas em mãos, fica mais fácil avaliar as opções e saber qual delas é a melhor para você. Agora, vamos entender um pouco mais sobre os cursos de graduação.

Especificidades da graduação

A graduação é o curso de nível superior que pode ser cursado por qualquer pessoa que já tenha concluído o ensino médio. A duração média é de quatro anos, podendo variar de dois a seis anos de acordo com o curso escolhido. Confira os tipos de graduação existentes!

1. Bacharelado

Quem cursar um bacharelado recebe o título de bacharel em determinada área. É o caso do curso de Direito, por exemplo, que forma bacharéis em Direito. Esse tipo de curso é voltado para a atuação no mercado de trabalho, ou seja, a construção de uma carreira na área escolhida.
Um bacharel em Química, por exemplo, poderá atuar como químico em um laboratório. Caso queira lecionar para o ensino básico, deverá completar as disciplinas necessárias para obter uma licenciatura. Isso porque os cursos de bacharelado não são voltados para o ensino e não oferecem formação pedagógica.
Em contrapartida, é comum ouvir que os cursos de bacharelado oferecem uma formação mais ampla, já que a função deles é formar um profissional capaz de atuar em diferentes áreas dentro da carreira escolhida.

2. Licenciatura

Ao contrário dos bacharelados, os cursos de licenciatura focam a formação pedagógica e são voltados para o ensino. Além das disciplinas da área profissional escolhida, quem completa um curso de licenciatura precisa passar por formações específicas para a atuação como professor — por exemplo, as disciplinas de pedagogia e psicologia da educação e os estágios em instituições escolares.
Continuando com o exemplo acima, um licenciado em Química poderá atuar como professor no ensino médio. Nessa categoria, também entram os cursos de pedagogia e normal superior, que formam professores para educação infantil e primeiros anos do ensino fundamental.
Dentro desses cursos, existem ainda duas possibilidades diferentes: a licenciatura plena e a licenciatura curta. Veja qual é a diferença entre elas.

Plena

Como o próprio nome já diz, a licenciatura plena é a formação completa do professor, incluindo tanto as disciplinas específicas da área quanto a formação pedagógica necessária para atuar no ensino.

Curta

A licenciatura curta foi criada para suprir a falta de professores em determinadas áreas, facilitando a formação e diminuindo o tempo necessário para quem deseja ingressar no ensino. Ela é voltada para profissionais que já têm um diploma de bacharelado e querem complementar sua formação para atuar na educação.
Alguém que é formado em um curso de Engenharia, por exemplo, pode buscar uma licenciatura curta para conseguir a complementação pedagógica e atuar como professor de matemática, sem ter que fazer a formação completa.
Esse tipo de curso é voltado para o ensino da Pedagogia e da atuação em sala de aula, pressupondo que as disciplinas específicas da área já são parcialmente dominadas pelos ingressantes.

3. Formação tecnológica

Ao contrário do que muitos pensam, os cursos tecnológicos são sim formações de nível superior (cuidado para não confundir curso tecnológico e curso técnico!). Eles têm ganhado fama entre os estudantes, justamente, por oferecerem uma possibilidade de formação mais rápida, já que costumam durar de dois a três anos.
Como já dissemos acima, os cursos de bacharelado buscam oferecer uma formação ampla sobre diferentes áreas dentro da mesma profissão. Já os cursos tecnológicos são bem mais específicos, têm um foco bem definido e permitem que o estudante se aprofunde em um aspecto dentro da área escolhida.
Um bom exemplo é a área de Recursos Humanos: tradicionalmente, quem atua como gestor de RH é um psicólogo. Durante a graduação em Psicologia, que dura cinco anos, os estudantes aprendem sobre as relações organizacionais, processos seletivos e os demais assuntos necessários para atuar em um RH.
No entanto, um bacharel em Psicologia também pode atuar com atendimento clínico, pesquisa, psicologia do trabalho e diversas outras áreas. O tecnólogo em Recursos Humanos, por outro lado, se forma especificamente em RH, e não é psicólogo. Essa formação pode ser completada em dois anos.

O que são os cursos de extensão e sequenciais?

Esses dois tipos de formação não são cursos de graduação. Geralmente, são cursos rápidos e específicos, que oferecem conhecimento complementar em determinada área. Veja mais sobre cada um deles!

Extensão

São cursos oferecidos por universidades, mas fora da grade curricular dos cursos de graduação e pós-graduação. Funcionam como uma formação extra, que pode ou não ser da mesma área de formação do aluno.
Os cursos de extensão podem ser voltados para aprendizados mais técnicos em determinada profissão, línguas, esportes, ou até mesmo para atividades culturais. Esses cursos são livres, ou seja, não é necessário que o estudante esteja matriculado na universidade ofertante para se inscrever no curso.

Sequenciais

Os cursos sequenciais são uma alternativa para quem busca uma formação rápida e específica. Podem ser cursados não só por quem concluiu o ensino médio e quer uma formação profissionalizante, como também por aqueles que já têm formação de nível superior e querem se atualizar ou se especializar em mais em um assunto.
Vale ressaltar que tanto os cursos de extensão quanto os cursos sequenciais não são cursos de graduação e não designam nenhum grau. Como não necessitam de autorização do MEC, esses cursos não oferecem diploma, mas apenas um certificado de conclusão.

Quais os tipos de pós-graduação?

Agora que já falamos sobre as diversas possibilidades de cursos de graduação, vamos para o próximo passo: é hora de conhecer os tipos de pós-graduação. Assim como nos cursos de nível superior, os cursos de pós também oferecem possibilidades distintas, voltadas para finalidades específicas e atendem a diferentes necessidades.
Para quem quer fazer uma pós-graduação e impulsionar a carreira, é essencial conhecer todas as possibilidades antes de dar o passo inicial.
Eles têm durações e pré-requisitos diferentes, e se dividem basicamente em dois grupos: os cursos stricto sensu e os lato sensu. Vamos entender melhor o que cada um deles oferece, quais são os tipos de curso que englobam, e como funciona uma pós-graduação. Confira!

Stricto sensu

A expressão stricto sensu vem do latim e significa “em sentido restrito”. Esse tipo de pós-graduação é voltado para o aprofundamento acadêmico e, normalmente, é buscado por quem tem interesse em construir uma carreira dentro da universidade.
Também é possível que alguém que está no mercado de trabalho busque uma pós-graduação stricto sensu para estudar sobre uma nova tecnologia em desenvolvimento, por exemplo, fazendo pesquisas que podem ser aplicadas no mercado.
Vale ressaltar que, para esse tipo de curso, é necessário já ter um diploma de graduação, ou seja, quem fez apenas um curso sequencial não pode entrar no mestrado ou no doutorado. Conheça os tipos de pós-graduação stricto sensu.

1. Mestrado acadêmico

O mestrado acadêmico é voltado para quem se interessa pela pesquisa científica. Tem duração média de dois anos, e exige que o aluno apresente uma dissertação ao final do curso.
Para ingressar no mestrado, é necessário que o candidato apresente um projeto de pesquisa que será avaliado por uma banca. Durante o curso, além das aulas, o aluno terá que desenvolver o projeto, que resultará na dissertação final.
Além disso, as universidades também podem exigir testes de proficiência em um idioma estrangeiro, prova de conhecimentos específicos e uma entrevista com a banca avaliadora. Trabalhos de pesquisa e iniciação científica realizados durante a graduação contam pontos para o ingresso no mestrado.

2. Mestrado profissional

A forma de ingresso é a mesma, assim como a duração e a exigência da dissertação para a conclusão do curso. No entanto, o mestrado profissional é uma excelente opção para quem quer se aprofundar em determinado assunto sem deixar de lado o mercado de trabalho.
A carga horária de dedicação é menor, o que permite que os profissionais continuem atuando enquanto estudam. Além do mais, os estudantes trabalham em cima de questões que vêm do mercado ou das áreas aplicadas a ele. A dissertação, por exemplo, precisa trabalhar com teorias e métodos voltados à resolução de um problema prático.

3. Doutorado

O doutorado é o nível posterior ao mestrado. A forma de ingresso é bem parecida, porém, o doutorado costuma exigir proficiência em dois idiomas estrangeiros e a duração média do curso é de quatro anos.
Assim como a dissertação no mestrado, o doutorado também tem como requisito um trabalho final: a tese. No doutorado, a carga horária de disciplinas a serem cursadas na universidade é bem baixa, mas o nível de dedicação e de estudos independentes necessários para a confecção da tese é muito alto.
O doutorado é recomendado para quem quer seguir carreira acadêmica como professor e/ou pesquisador, e uma de suas exigências é que o estudante lecione alguma disciplina para alunos de graduação na faculdade em que estuda.

4. Doutorado direto

Algumas universidades permitem que o estudante entre direto no doutorado após concluir um curso de graduação, sem ter que passar pelo mestrado. O processo de seleção é o mesmo que para os demais candidatos, no entanto, é exigido que o aluno tenha publicado ao menos um artigo científico.
Como se trata de ultrapassar a etapa do mestrado, o nível de exigência para alunos que se candidatam ao doutorado direto é alto, e o processo seletivo é rígido.

5. Pós-doutorado

O pós-doutorado não é exatamente um curso — trata-se de uma espécie de estágio de pesquisa para quem já tem o título de doutor, obtido com a conclusão e aprovação no doutorado. O pós-doutorado não exige que o estudante curse disciplinas ou defenda uma tese. Seu foco é a pesquisa avançada. Geralmente, inclui orientação a estudantes e ministração de disciplinas.
Ao contrário do que muitos pensam, o pós-doutorado não confere título de PhD. Quem conclui o chamado “estágio pós-doutoral” continua com o título de doutor. O PhD nada mais é do que a sigla em inglês para “Philosophiae Doctor”, ou, em português, Doutor em Filosofia. Ou seja, PhD é o título de doutor em inglês.

Lato sensu

Também do latim, lato sensu significa “em sentido amplo”. Ao contrário dos cursos citados acima, esse tipo de formação não visa a um aprofundamento acadêmico e científico, mas sim estudos práticos que sejam aplicáveis na profissão e no mercado de trabalho.
Quem conclui um curso de pós-graduação lato sensu recebe um certificado de conclusão e o título de especialista. Apesar de não exigir confecção de teses ou dissertações, esse tipo de pós normalmente exige que o aluno apresente um trabalho de conclusão de curso. Confira agora os tipos de pós-graduação lato sensu.

1. Especialização

Geralmente com curta duração (carga horária mínima de 360 horas), cursos de especialização são voltados para o estudo de um tema específico. Como são voltados para quem está atualmente ativo no mercado de trabalho, eles costumam oferecer horários mais flexíveis.
As aulas podem acontecer à noite, duas ou três vezes por semana, por exemplo, ou mesmo nos fins de semana. São muito indicados para profissionais que desejam:

  • se atualizar;
  • aprimorar os conhecimentos para subir de cargo;
  • conquistar uma nova posição;
  • se recolocar no mercado de trabalho;
  • ou mesmo para manter o conhecimento profissional em dia.

Uma vantagem é que, com a curta duração, é possível fazer várias especializações em assuntos diferentes, sem gastar tanto tempo.

2. MBA

Do inglês, a sigla MBA significa “Master in Business Administration”, ou seja, Mestrado em Administração de Negócios. Como o nome já diz, o foco é o mundo empresarial. Vale ressaltar que, apesar do nome, o MBA não é um mestrado e sim uma especialização.
O MBA objetiva formar bons administradores, independentemente de sua área de formação inicial. É muito procurado por gestores, empresários e empreendedores, principalmente, por trabalhar questões de administração de empresas, gestão de pessoas e liderança.
A carga horária dos cursos de MBA no Brasil é de 360 horas, e o funcionamento das aulas é igual ao das demais especializações, conforme explicado acima.

Como escolher um tipo de graduação ou pós-graduação?

Como já dissemos no começo do texto, para escolher um curso de graduação e pós-graduação, é preciso conhecer bem suas necessidades, assim como as possibilidades existentes. Sabendo desses dois aspectos, é só cruzar as informações e você conseguirá descobrir qual é o curso ideal para você.
Nós apresentamos aqui diferentes opções para quem pretende ingressar em um curso superior, assim como as alternativas de pós-graduação, para quem já concluiu o terceiro grau de ensino e quer se aprofundar ou especializar ainda mais.
Entretanto, na hora de escolher um curso, existem outras decisões que você precisa tomar, como a modalidade de ensino e a instituição onde vai estudar. Para deixar nosso guia ainda mais completo, vamos falar um pouco sobre esses dois assuntos, começando pelas modalidades de ensino!

1. Modalidade presencial

Esse é o modelo de ensino mais tradicional no Brasil. Como o nome já diz, é completamente presencial, ou seja, você precisa ir à universidade para participar das aulas e outras atividades exigidas.

2. Modalidade híbrida

Ensino híbrido é o mesmo que ensino semipresencial. Basicamente, parte da formação acontece em sala de aula, onde os estudantes podem trocar experiências e interagir entre si, e a outra parte acontece online, a distância, o que garante mais autonomia ao aluno.
O ensino híbrido é uma modalidade que tem crescido nos últimos anos, justamente, por aproveitar o melhor do online e do presencial, combinando as vantagens das duas modalidades. Ambas precisam ser vistas de modo complementar, e devem ser trabalhadas com o mesmo objetivo: facilitar o aprendizado e aprimorar o desenvolvimento do aluno.

3. Modalidade EAD

A modalidade de ensino a distância oferece ao aluno a possibilidade de estudar sem sair de casa. É ideal para quem não tem tempo disponível para um curso presencial.
Esse tipo de ensino costuma oferecer aulas em vídeo, plataformas de interação online e professores de plantão para tirar dúvidas sempre que necessário. Em alguns casos, o aluno precisa fazer avaliações presencialmente, uma ou duas vezes por mês.
É importante lembrar que as modalidades de ensino híbrida e EAD são igualmente reconhecidas pelo MEC, e o diploma emitido em uma graduação ou pós-graduação a distância tem o mesmo peso que o de um curso presencial.

Como escolher uma boa instituição de ensino para fazer sua graduação ou pós?

Por fim, chegamos ao último tema sobre o qual você precisa pensar na hora de escolher seu curso de graduação ou pós-graduação: a escolha da instituição de ensino. Assim como nas outras questões, aqui também existem alguns pontos que devem ser levados em consideração. Veja nossas dicas para fazer a melhor escolha!

Procure rankings

Existem diversos rankings que avaliam e classificam anualmente as universidades do Brasil. Procure sites confiáveis e veja a classificação das faculdades ou universidades que lhe interessam. Outra opção é consultar a classificação oficial do MEC, feita por meio do Enade — Exame Nacional de Desempenho de Estudantes.
O Enade confere notas às instituições de ensino superior com base nas provas realizadas pelos alunos e em alguns outros critérios. O conceito Enade é divulgado anualmente e pode ser consultado no site do Inep.

Conheça os cursos oferecidos

Mesmo que ainda não tenha certeza sobre em qual curso você vai se matricular, é importante pesquisar os cursos que a faculdade oferece antes de escolhê-la. Pesquise sobre as ofertas e a concorrência para entrar nos cursos que são do seu interesse. No caso dos cursos de pós-graduação, verifique também quais são os pré-requisitos e as etapas de seleção.

Pesquise preços

Se optar por uma universidade particular, é preciso verificar se ela cabe no seu orçamento. O valor a ser investido nos cursos nem sempre está facilmente acessível no site e pode ser necessário entrar diretamente em contato com a instituição, por e-mail ou telefone.
Lembre-se de consultar também os descontos e as ofertas de bolsas. Se for um curso de graduação, verifique se a universidade participa do Prouni, o Programa Universidade para Todos.
Para os cursos de pós-graduação, você pode buscar bolsas da própria faculdade ou de instituições financiadoras, como a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

Converse com as faculdades

Aproveite os canais de acesso disponíveis para entrar em contato com a instituição e tirar todas as suas dúvidas. Sempre que quiser saber algo e não encontrar a informação de que precisa, não hesite em entrar em contato: ligue, mande e-mails, ou até mesmo vá à sede mais próxima da instituição.

Procure ex-alunos

Por fim, vale a pena conversar com ex-alunos das faculdades e conhecer a perspectiva deles. Mesmo com várias informações disponíveis na Internet, algumas coisas só podem ser ditas por quem realmente conhece a instituição e o curso. Escute a experiência dos ex-alunos, peça opiniões e o máximo de dicas que puder.
Como você pode ver, as possibilidades são inúmeras para quem pretende continuar os estudos. Se achar necessário, leia o texto novamente e anote os pontos que mais interessam ou que você considera mais importantes para sua decisão.
Existem diversos tipos de pós-graduação e graduação, em diferentes modalidades, e cada faculdade pode ter um jeito distinto de combinar essas possibilidades — em cada um desses pontos, pense com cuidado no que é melhor para você, e sua escolha certamente será a correta.
Agora que já sabe todas as nossas dicas para escolher seu curso de graduação ou pós, que tal conhecer um pouco mais dos nossos conteúdos? Assine nossa newsletter e receba tudo em primeira mão, para se manter sempre atualizado e por dentro de assuntos como este!

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